O poeta e um fingidor fernando pessoa

De tal forma que, quando a mulher do primo ficava doente, Fernando Pessoa ficava sentado à sua cabeceira, lendo-lhe livros. Loiras à parte, a verdade é que a escrita de poemas de amor se intensificou no final da vida de Fernando Pessoa.

José Barreto, historiador que se tem interessado sobretudo pelo pensamento filosófico e político de Pessoa, descobriu, por mero acaso, cartas inéditas que parecem ajudar a desvendar o mistério. Talvez por isso tivesse interessado ao meu tio Fernando. Só recentemente é que foi possível unir as pontas soltas e ligar definitivamente Madge a Fernando Pessoa.

Tudo graças à descoberta de dois rascunhos de cartas, ainda na posse da família do poeta, e de uma terceira missiva guardada na Biblioteca Nacional de Portugal BNPem Lisboa. Como é que eu sei qualquer coisa a respeito do que teria sido Do que teria sido, que é o que nunca foi?

A última paixão de Fernando Pessoa não foi Ofélia, foi uma inglesa loira

No final dos anos 80, publicou a biografia A Vida Plural de Fernando Pessoaa primeira sobre o poeta escrita fora de Portugal. Nunca conseguiram dados plausíveis sobre quem seria essa mulher casada, essa mulher loira. Mas José Barreto teve mais sorte. Baseei-me apenas em provas documentais. Pelo meio, o poeta escreveu dezenas de poemas de amor.

Depois de completar uma licenciatura geral de três anos na University of St.

Os 10 melhores poemas de Fernando Pessoa

Andrews, na Escócia, começou a trabalhar no Foreign Office, em Londres, tendo sido nomeada junior assistant desse mesmo ministério apenas três anos depois, em Meses depois, foi transferida para a sede do SIS, em Londres. Depois do final do conflito, continuou vinculada ao Foreign Office. Morreu a 3 fingidor julho de estudo biblico sobre cura interior, aos 83 anos.

Mas isso pessoa viria a acontecer. Fernando Pessoa morreu poucas semanas depois, no Hospital de S. Luís dos Franceses, em Lisboa. O teu amor poderia Tornar-se melhor do que eu Posso ser ou tentar. Portanto, a vida privada era uma coisa sagrada para ele.

Ninguém sabia onde morava, etc. Preservava muito a sua intimidade e a sua vida pessoal, o poeta e um fingidor fernando pessoa. Só resta poeta um fernando para o publicar. Fernando Pessoa foi internado a 26 desse mês, no Hospital de S. Luís dos Franceses, tendo morrido poucos dias depois, a 30 de novembro de O que importa és só tu. As leituras, a escrita, as reflexões, as viagens, as coleções, a História ganham durante este período da sua vida uma maior solidez.

Apesar de as suas notas nunca terem saído da sua casa, muitos dos objetos que colecionou saíram. O que eu deixo de gente, de relações, de amizades, de quadros de textos, de, de, de… Da obra que eu fiz. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. Janelas do meu quarto, Do meu quarto de um dos milhões do mundo. Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade. Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu. A aprendizagem que me deram, Desci dela pela janela das traseiras da casa.

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo. E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído, Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?

Eu, que venho sido vil, literalmente vil, Vil no sentido mesquinho e infame da vileza. Eu nunca guardei rebanhos, Mas é como se os guardasse.

Toda a paz da Natureza sem gente Vem sentar-se a meu lado.

E se desejo às vezes Por imaginar, ser cordeirinho Ou ser o rebanho todo Para andar espalhado por toda a encosta A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo. Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma, E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente.

Trazem memórias de cais afastados e doutros momentos Doutro modo da mesma humanidade noutros pontos. Todo o atracar, todo o largar de navio, É — sinto-o em mim como o meu sangue — Inconscientemente simbólico, terrivelmente Ameaçador de significações metafísicas Que perturbam em mim quem eu fui….

Ah, todo o cais é uma saudade de pedra! O poeta é um fingidor. No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, Eu era feliz e ninguém estava morto.

Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida. O que fui de serões de meia-província, O que fui de amarem-me e eu ser menino, O que fui — ai, meu Deus! No tempo em que festejavam o dia dos meus anos… Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo! Mas quem sente muito, cala; Quem quer dizer quanto sente Fica sem alma nem fala, Fica só, inteiramente!

Nunca me vi nem acabei.

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